terça-feira, junho 07, 2005

Democracia

O ser humano está em constante mutação, a tese da evolução isso demonstra, por tal não há que a contradizer. Sendo um ponto de partida, pode-se a partir deste princípio e chegar a outras presunções em áreas diversas. Há que entender a democracia como um sistema também ele em constante mutação, ele não é, e nunca poderá ser um sistema acabado, completo e perfeito, sendo que nos dias que correm muitos pretendem defender o contrário, deixando-se de estudar, de aprofundar, de pugnar pela evolução deste sistema que é a democracia. Tal mutação que se deve defender para a democracia, é alargada aos sistemas de governo. Tal mutação não pode ser parada, pois se tal acontecer corre-se o risco de ruír toda uma estrutura.
Por outro lado neste estudo não devem haver dogmas de que espécie forem, deve existir acima de tudo uma liberdade de criação, pois o género humano assim nasceu e assim deve continuar a evoluir. A democracia quando nasceu no Estado Helénico foi dentro deste espiríto, embora limitada a uma categoria de cidadãos que excluía os escravos e as mulheres, e deste ponto de vista a actual democracia evoluiu num sentido muito positivo, porque abriu-se ás mulheres, não nos termos por vezes mais desejáveis, mas evoluiu sem sombra de dúvida. No que diz diz respeito aos escravos também evoluiu, visto que hoje não existem mais escravos, apesar de ser levado a considerar que existem hojes novos tipos de escravatura, que por vezes são colocados à margem do sistema democrático de forma indirecta. Mas nesta comparação com a democracia primitiva há de ter-se em conta que existem factos em que a evolução tem de ser considerada negativa, visto que a participação da classe "cidadãos" deixou de ser tão directa, claro que alguns dirão que tal se deve ao crescimento das populações que inviabiliza uma participação directa de todos os cidadãos, mas no entanto tal não é inteiramente verdade, porque existem diversas formas de participação política em democracia, que vão desde a participação no governo, na assembleia da republica, à participação em associações de todos os géneros, às organizações municipais, às petições e na base ao direito/dever de voto. O que existe na realidade é uma desresponsabilização da sociedade civil que já nem o seu direito de voto quer exercer. A questão agora é saber porquê? será que falhou a democracia? falharam os políticos? falhou o modelo social e cultural?, falhou o sistema de desenvolvimento?
A resposta não pode ser única e nem simples, pois as razões são várias, desde a ideia que o conceito de democracia não evoluiu desde a revolução liberal (apenas algumas ideias novas, pouco relevantes em meu entender). Por outro lado os políticos também falharam claramente, sendo certo que foi subvertida a missão do politico e da politica, e essa resposta terá de ser novamente encontrada nos clássicos. É evidente que estamos hoje perante políticas describilizadas, no qual existe uma denegação de responsabilidades. Estes factos só por si deveriam levar a uma resposta pronta dos cidadãos, da sociedade, ou seja do Povo, mas tal não acontece, e aqui se encontra uma falha do modelo social e cultural, principalmente neste último, facto que agrava todos os problemas. Todo o desenvolvimento acente em questões económicas originou que as questões sócio-culturais fossem colocadas de parte, com os resultados que se vêm, por isso não mais o desenvolvimento poderá ser entendido sob o prisma económico (pelo menos exclusivamente), mas sim sob do prisma sócio cultural, porque se assim não for corre-se o risco de se ter uma democracia vazia. De que servirá a sua existência se os seus cidadãos não fazem uso dela?